Metaphor: Refantazio, o “Persona de Magia” chegou para ficar.
- Griffith Souls
- 25 de dez. de 2024
- 6 min de leitura
“É minha mais sincera esperança que a fantasia seja uma força para você”

Essa análise não possui spoilers de qualquer tipo
Plataforma jogada: STEAM
Escrito por: Griffith criador da Dungeon Bits

O que é Metaphor?
Metaphor é um RPG com combate em turnos, desenvolvido pela Atlus e publicado pela SEGA. O jogo é extremamente semelhante aos clássicos Shin Megami Tensei e Persona, mas com uma temática focada em um mundo medieval fantasioso. Uma das principais diferenças é que Metaphor foca mais na construção da história. Diferentemente de Persona, por exemplo, em Metaphor nós já sabemos quem é o vilão desde o início, enquanto nos jogos da Atlus, geralmente só descobrimos o vilão no final do jogo.

História
A história se passa no reino de Euchronia, onde o rei é assassinado e o caos se instaura. Várias pessoas e grupos começam a disputar o poder para ver quem se tornará o novo rei. As pessoas procuram apoiar os grupos que têm uma mentalidade mais próxima da delas, ou que compartilham a mesma religião, e você está no meio dessas disputas, tentando se tornar o rei. Ao longo de sua jornada, você fará amigos e alianças que lhe permitirão trilhar esse caminho árduo e longo (põe longo nisso, terminei o jogo com 70 e poucas horas).

Jogabilidade e Mecânicas de jogo
O game funciona nos mesmos moldes de Persona. Você possui várias habilidades para derrotar os monstros ao longo do cenário, seja com ataques de fogo, gelo, vento, buffs e debuffs. É possível curar seus aliados e até mesmo combinar seus ataques mais fortes para devastar os inimigos. Você também pode atacar seus inimigos diretamente, na base da porrada. O jogo permite que você jogue com várias classes, cada uma com um foco específico, como ser o tank ou o healer, cada qual com habilidades específicas e indispensáveis para a party. Além disso, podemos posicionar nossos personagens em fileiras: por exemplo, os personagens que suportam mais dano ficam na frente, enquanto os magos ficam atrás, e assim por diante.

Podemos também escolher o Arquétipo (nosso Persona, ou Stand, caso você goste de Jojo), que será responsável por arrebentar geral. É possível aumentar o nível dele ao longo do jogo, através dos combates, e, ao completar quests secundárias que envolvem os membros da nossa party ou amigos, fortalecemos os laços com eles, o que nos concede buffs, novas habilidades e muito mais. Podemos comprar equipamentos também, caso você tenha grana, é claro.
Acredite, você vai passar muito tempo nas dungeons do jogo, o que é algo bastante comum nas franquias da Atlus. Eu presenciei isso em Shin Megami Tensei Nocturne, Vengeance, Soul Hackers, Persona 5 Royal, Persona 3 Portable, Reload, e, por incrível que pareça, Metaphor foi o único que achei maçante. Achei o sistema de dungeons cansativo e nada inovador, é basicamente um monte de corredores, com inimigos posicionados pelo cenário e alguns itens e passagens secretas para passarmos (Assim como nos games anteriores, eu sei disso), o que me polpou muito tempo foi o fato de que inimigos com menos nível do que você, podem ser derrotados com apenas um golpe durante as caminhadas no cenário, assim evitando um combate desnecessário e prologando ainda mais o tempo nas dungeons. Mas sei o que você está pensando: “Como assim? Não é tudo a mesma coisa?” Pois é, eu não sei explicar direito. Fiquei perdido várias vezes nas dungeons de Metaphor e perdi muito tempo nelas. Não me senti assim nos jogos anteriores que joguei. Mas, é claro, isso é apenas minha opinião. Alguns amigos também sentiram o mesmo, mas, no fim das contas, isso não prejudicou a experiência.

Basicamente, viajamos de cidade em cidade com nosso “Trotador”, uma espécie de veículo motorizado bem rápido. Dentro dele, podemos realizar várias atividades, como tomar banho, lavar roupa, pescar, cuidar dos equipamentos e conversar com o resto da party, e ser atacado do nada, porque os outros competidores sempre acabam te atacando, isso quando não é algum grupo de monstros aleatórios pelo cenário. O Trotador serve como uma espécie de lobby enquanto estamos viajando entre cidades. Posso te dizer que há várias atividades nas cidades que nos ajudam a melhorar nossos talentos. Quando digo talentos, refiro-me a diálogo, coragem, tolerância, imaginação, e por aí vai, nada que fuja do habitual, e que você já deve conhecer.
A diferença em Metaphor é que, desta vez, não somos mais um estudante; somos um candidato a rei, e as atividades são diferentes e mais “adultas”, por assim dizer. Inclusive, podemos comprar ingredientes e cozinhar, o que achei bem interessante.

Ambientação e trilha sonora
A ambientação é linda, os cenários são bem feitos, lembrando que o gráfico não é o forte da Atlus, bom, nem precisa ser. Temos várias artes muito bem desenhadas, tanto de personagens quanto de ícones espalhados pelo cenário. Além disso, a direção de arte é muito bonita, proporcionando algumas vistas deslumbrantes ao longo da nossa jornada.

A trilha sonora é muito boa e bem colocada nos momentos mais importantes do jogo. Meu único problema é o tema das batalhas, que não me agradou tanto. Mas, fora isso, só tenho coisas positivas a dizer. Inclusive, dê uma olhada nesta música aqui, é a que eu não curti. Mas, para ser justo, não é que ela seja ruim, é só que não faz muito o meu estilo. Acho que você vai gostar.
"Divirta-se com o nosso querido John Cena ouvindo o tema de batalha"
Opiniões
Eu gostei de Metaphor. O jogo é muito bom, e as conversas com seus companheiros são bem legais. Achei que elas estão mais bem trabalhadas em comparação com Persona 3 Reload, que foi o último jogo que joguei, por exemplo. O game é totalmente focado na história principal, que é longa, mas muito inteligente. Há muitos “plot twists” ao longo do caminho, batalhas escondidas e revelações chocantes. Inclusive, uma frase que ficou na minha cabeça foi:
“Se os fracos ficarem para trás… quem vai sobrar para protegê-los?”

Metaphor é um game incrível. Se você ama Persona, combate em turnos, e gosta de histórias com momentos “prepare to cry”, ou simplesmente está afim de um shonen jogável, então Metaphor é um jogo que vai te agradar. Mas fique atento: se você não gosta do estilo de jogo de Persona, recomendo ficar longe de Metaphor. O jogo é incrível, mas não é à toa que pertence a um gênero de nicho. Haverá muitas telas de carregamento (inclusive aproveitaram para colocar uma animação diferente para as diversas formas de se atravessar a cidade). O jogo é bem repetitivo, como os anteriores, no sistema de dungeons, afinal, é mais do mesmo, e isso pode afastar muita gente, eu disse que eu já disse isso antes, e é de propósito que estou batendo nessa tecla.

Não temos romances como na saga Persona, o que, para mim, pouco importa, mas acho interessante informar porque afinal, era uma mecânica que muita gente achava legal, um momento inesquecível por exemplo no Persona 5, é quando você tenta namorar com todo mundo de uma vez… Não recomendo.

Posso afirmar que você é recompensado pelas escolhas que faz no jogo. A jornada é longa, mas vale a pena no final. Digo e repito: a história é fantástica, e, para mim, isso é o que mais importa, pois é o ponto forte do jogo. No entanto, compartilho da mesma opinião de um amigo: O jogo pode se tornar extremamente maçante se você trabalha, chega em casa estressado e tem poucas horas para jogar. Afinal, o game é gigante , o que é geralmente o meu caso, eu levei mais de 70 horas para terminá-lo, mas tendo um pouco de tempo livre as coisas mudam da água para o vinho.

Nota Final: 9/10
Recomendo para quem gosta de Persona, Shin Megami Tensei, combate em turnos, uma história bem contada e até um bom shonen no meio. Se você não gosta de jogos curtos, aproveite, porque vai passar um bom tempo jogando este aqui.
Considerações Finais:
Jogo focado em história
O game é bem longo e chega a ser cansativo as vezes
O sistema de dungeons é mais do mesmo e bem repetitivo (como esperado)
Os diálogos são mais focados e bem escritos se comparados a alguns games anteriores da Atlus que tive a oportunidade de jogar
A trilha sonora é muito boa
As batalhas contra bosses são muito bem pensadas
O vilão final é muito bem escrito, parece até o Griffith do Berserk.
Direção de arte e design de mundo são lindos, a Atlus nunca erra nisso
O jogo é na maior parte bem tranquilo, tive problemas com inimigos em poucas situações
O sistema de Arquétipos é muito legal, eu gostei da ideia das classes.
É o tipo de jogo que é perfeito para se jogar em um SteamDeck

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